ELE NÃO MORREU!
Pensei em contar, mas está no Google, que ele foi de novo internado; sua mulher diz que está bem. Deve ser o Colesterol que ele enfiava no sobrenome do seu personagem (riso meu das lembranças do programa humorístico que passava na TV antes do jornal e eu assistia tomando sopa e comendo sanduíche).
Aí entre contar e descontar, numa conta que não se sabe mais a positividade ou a negatividade do saldo, segui no silêncio.
domingo, 29 de junho de 2014
terça-feira, 20 de maio de 2014
POP - ou Fragmento Solidão
PROCEDIMENTO
OPERACIONAL PADRONIZADO
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ou
Fragmento
Solidão
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Redator:
Ronny Leal
Item 1, sobre o OBJETIVO
Estabelecer lúcido entendimento de amor
romântico, happy end, ou assegurar sobrevivência.
Item 2. DOCUMENTAÇÃO
TOMADA COMO REFERÊNCIA, PRINCÍPIO. LEIS IMUTÁVEIS, DE ORIGEM DESCONHECIDA,
INERENTE A TODO SER HUMANO. PRINCÍPIO. INERÊNCIA. VIDA.
Resolução número 10.481, de 18 de setembro
de 2013.
Dispõe sobre regulamento que
organiza e viabiliza a aplicação de princípios técnicos ao reconhecimento de
sentimento romântico ou de profunda ternura, a cautelosa imersão e o não
ferimento daquele a qual o sentimento pertence. A resolutiva, no entanto, é
revogada diariamente.
3. O item 3. CAMPOS DE
APLICAÇÃO
Área do corpo (Além físico)
Coração (Além
cardíaco)
Olhos (d’alma)
Tato (Gesto)
Direção (Incerta)
4. DEFINIÇÕES
Par – Dois. Em conluio de
causas sentimentais. Não se aplica a suprir carências e qualquer outra
infantilidade do gênero.
Reticências – sugerem brusca
interrupção, inesperada, casual. Inesquecível. Consequências... Sou
transformado.
OS RESPONSÁVEIS. Item 5
Deus,
que diz que agora sim,
quando o encontro vai além da matéria, que sim, agora, nem céu nem
terra separa. Era o que estava na página 59, aberta
aleatoriamente.
Cupido,
que certamente nunca foi
homem, porque se um dia fora, nunca um dia atiraria sua flecha.
Eu,
Que ainda me permito o amor sem
antes ao menos a minuta de reciprocidade.
Você...
1ª EMENTA
CASUAL!
Pois é assim, num simples
você, que rompo a quarta parede. E desaba a água da barragem, sobre cidade, luz
se apaga, TV se cala, trem para.
6. OS FATOS. OU
RELATOS.
- É imagética
essa substância toda que se coloca como essencial, que até ontem não havia, devaneio sem
parada, chuva em trânsito, diz Acusação.
- Sendo assim,
invento uma alegoria para guardar a chuva e encolher a trama de sentimentos
avessos a uma vida feliz em par, diz Defesa.
Subitem 6.1. SOBRE OUVIR
Fundamento do diálogo, me
calo.
Porque você precisa falar e
fala verdades que te afogam.
Prazer, sou o homem
guarda-chuva. Deságua que de benta nossa água não tem nada.
Se bem que bom seria
santificar a calma e enfiá-la em ti, sem licenças.
E tento em
vão, licenças.
O subitem 6.2 É SOBRE
ACASOS E TATO
É quando a luz apaga, o
outro confesso...
Que outro?
O de quem fala, um outro que
só fala. É assim que a luz se apaga que se aninha no meu peito, eu
tomado, sobressaltado, esse acaso encontro não agendado...
Um:
Que horas acaba sua aula?
Outro Um:
Nove.
... E eu que
estava ali pra te fazer fogueira, sou aquecido por teu calor.
Um:
Sou calorento.
Subitem 6.3. SOBRE
VOLTAR, OU AÇÃO CORRETIVA, OU TORPEDO SMS
‘Aí eu passo uma incrível
noite na casa... Aceito estar com ele... É como um
sonho. Ele – a menor intensidade. Sou louco ou idiota?’
7. EMENTAS MANIQUEÍSTAS
JUIZ:
O quê? Quando?
RELATOR:
Diálogos ocorridos ao acaso,
em dias não agendados, sem prévio aviso, graves consequências.
JUIZ:
Como?
REDATOR:
Um contínuo afogamento de
algo que vai além do cardíaco - mas sabe-se que ocorre por ali.
JUIZ:
Bom ou ruim?
RELATOR:
Não há resposta.
Item 8. A REVOGAÇÃO
RELATOR:
Deus, que diz que agora sim, quando o encontro vai além da matéria, que sim, agora, nem céu nem
terra separa. Era o que estava na página 59, aberta
aleatoriamente.
JUIZ:
Prendam quem disse isso!
RELATOR:
Cupido, que certamente nunca foi
homem, porque se um dia fora, nunca um dia atiraria sua flecha.
JUIZ:
Prendam esse atirador de
flechas. Chega! Revogado!
RELATOR:
Redator, que reconhece os calos das mãos
tocadas uma única vez anos atrás.
JUIZ:
Revogado! Está revogado o amor!
RELATOR:
Meritíssimo?
9. REGISTROS
A Certidão de Casamento
certifica uma feliz união entre dois, prevendo a comunhão dos corpos.
Mas só destes, porque também já certifica a comunhão de bens.
ÚLTIMA EMENTA...
Foi encontrado na piscina de
areia do parque um coração ensanguentado. Uma criança o achou e saiu atirando-o para cima,
pelo direito de errar. E quem sem ele ficou continuou por aí atrás de errar.
... CASUAL!
A japonesa de quimono,
tola, sempre caminha um passo atrás do companheiro.
10. DOS ANEXOS (10.481 DIAS
DEPOIS)
E lido o regulamento,
apoiado em lei, tão absurdo na generalização do amor, coisa de todos, coisa tão
individual, ouvem-se gritos de protesto.
‘Por que de lancha e não de nau? Se
perca sem pressa. Fico aqui, ilha perdida à deriva.’
‘Massa não é coletivo.
Coletivo é grupo de muitos.’
‘Dez mil. Somos dez mil!’
‘Massa é uma coisa só.’
‘Coletivo. Um mais Um. Dois.’
‘Dez mil quatrocentos e oitenta e um
dias, até aqui, 18 de setembro.’
‘Thiago, você está me
ouvindo?’
‘Thiago, você está me
ouvindo?’
(...)
domingo, 4 de maio de 2014
É rosa, o laço de fita
Ela:
Não tem devolução.
Ele:
Vamos ter que ficar com esse mesmo?
Ela:
A gente pode tentar a sua tia. Talvez ela fique com
ele.
Ele:
Mas com esse defeito, será que ela vai querer?
Ela:
A gente não quer. Devolver não dá. Temos que achar
quem queira. Não posso perder meu tempo cuidando de algo de gênero?
Ele:
Que gênero?
Ela, cruzando o tempo, cai deitada na cama.
Ele:
Você está bem?
Ela:
Acabo de abortar e você me pergunta se estou bem?
Ele:
Não podemos tentar de novo. O médico disse que no
seu caso, é arriscado.
Ela:
Quero um filho.
Ele e Ela cruzam o tempo e bailam a valsa do
casamento. O riso é algo frouxo que se desprende sem medos. Caem sentados em
novo tempo.
Ele:
Queremos um filho!
Ela:
Sim, um filho.
Ele:
Uma família!
Ela:
Sim é ele. É este que eu quero. Vamos adotá-lo.
E o tempo deles se esvai.
Off, a babá
dos órfãos:
Menino corre
com fita rosa ao vento.
É pipa, o
cetim rosa.
A vida então
enforca.
E criança faz
do laço enfeite para o cabelo.
‘Faz forca,
menino, faz forca e se destroça.’
Ele:
Seria mais fácil.
Ela:
Não seja rude. É só um menino. Não o quero mais
aqui, mas também não quero que ele sofra.
Ele:
Não tenho estrutura...
Ela:
Exato, não temos estrutura. Não entendo dessas
coisas de gente que é o que não é. Se a gente colocar algo no suco dele e
deixar na porta do orfanato...?
Ele:
É um adolescente, ele saberia dizer quem somos,
onde é nossa casa...
Ela:
Mas que inferno, por que não tinha isso na ficha
dele?
Ele:
Fale baixo, ele está no quarto. Não é mais nosso
filho, mas não vamos deixá-lo traumatizado. Vamos devolver de maneira indolor.
Vou procurar um advogado.
Off, a babá
dos órfãos:
E assim cai teto
E cai parede
Os móveis ficam
ao relento
E nem mais
móveis
E nem pais
E nem chão
Só... na
prateleira.
SAC:
Qual a queixa, senhor? Sim, o menino tem um laço de
fita rosa preso à cabeça. Desculpa, senhor, mas quando o adquiriu, o laço de
fita já estava em sua cabeça? Porque só podemos responder por problemas de
origem... O senhor considera um problema de origem, entendo. Já tentou tirar o
laço? Ah, sim, o menino já virou motivo de chacota, entendo? Sim, podemos
efetuar a troca, mas não podemos garantir que o próximo filho não vá querer em
determinado momento colocar um laço de fita cor-de-rosa na cabeça, ou vestidos.
Ah, quer trocar por uma menina. Entendo, mas as garantias são as mesmas.
Off, a babá
dos órfãos:
Futuros
papais e mamães.
Caminham
entre as prateleiras.
A sua vista,
pacotes perfeitos
- e veja só,
ressoa um coração.
Mas lá
embaixo, na última prateleira,
Onde o pacote
com remendos
Guarda o
menino com laço de fita no cabelo.
‘Atenção,
consumidores, futuros pais da nação. Promoção do dia. Corram aos corredores de
meninos adolescentes. Todos os artigos seminovos estão com cinquenta por cento
de desconto.’
Baseado na notícia:
http://acapa.virgula.uol.com.br/politica/adolescente-e-devolvido-para-orfanato-por-pais-adotivos-por-ser-homossexual/2/13/23888
sexta-feira, 14 de março de 2014
Sono
Acordei e esqueci os olhos pregados, sob os quais o sono dançava a noite vívida em pleno dia. Que importam os pássaros diurnos - e seu buzinar ruído que me vem -, se corujo meu dia e mal há raciocínio que se complete, palavra que termina de ser escrita? Corujo na frente de um microcomputador e com seu olho único, brilhoso e quadrado, me coruja a máquina.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Desafloro
Hoje o jardim amanheceu com as flores no chão. Não as varri
porque espero novas flores - e que as flores de ontem virem adubo das futuras.
Hoje o jardim é todo verde grama, e verde não deixa de ser
esperança, mesmo quando corpos então coloridos, secam-murcham, nesse jardim que
meus sonhos fazem florir. Mas essa onda de causar dor, mesmo quando se põe tão
claro o que pode ser dor, e mesmo assim querer ferir, fazem secar a rosa de
espinhos no centro do jardim. E então são iguais, espinho e rosa, rosa e
espinho.
Coisas, não coisa só.
Nem flor de espinhos, nem espinhos da flor.
Nem dor, nem desaforo. Desaflor.
Espero-te novamente rosa com espinhos, a ser a primeira flor
do novo - das coisas antigas – jardim.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Um texto incompleto (23/01/14)...
Digitado no bloco de notas do celular enquanto caminhava pela Major Diogo, numa quinta de janeiro...
Estranho isso
De rua no passo atrás deixar
Saber não encontrar
Teu passar
Encanto torto
No porto de mar doce
Não está
(...)
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